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Doenças Inflamatórias - Hidradenite supurativa: a doença que demora em média 7 anos para ser diagnosticada, e tem tratamento.

Nódulos dolorosos recorrentes nas dobras do corpo que ninguém sabe nomear. Entenda o que é a hidradenite supurativa, por que é tão subdiagnosticada e quais são as opções de tratamento disponíveis.

Se você tem nódulos dolorosos recorrentes nas axilas, virilha, glúteos ou sob os seios — nódulos que inflamam, drenam e voltam — e já ouviu “é foliculite”, “é furúnculo”, “é falta de higiene”: este artigo é para você.

A hidradenite supurativa é uma doença inflamatória crônica dos folículos pilossebáceos. Não é infecção. Não é falta de higiene. Não é culpa sua.

E ela tem tratamento.

O que é a hidradenite supurativa?

A HS se caracteriza por nódulos inflamatórios profundos e dolorosos que aparecem em áreas de dobras cutâneas — axila, virilha, períneo, região inframamária, glúteos. Esses nódulos podem drenar espontaneamente, formar trajetos fistulosos e, com o tempo, deixar cicatrizes.

É uma doença crônica, com ciclos de inflamação e remissão, e sua gravidade varia muito entre os pacientes.

Por que demora tanto para ser diagnosticada?

Estudos mostram que o tempo médio entre o início dos sintomas e o diagnóstico correto é de 7 a 10 anos. Isso acontece por uma combinação de fatores:

  • As lesões são frequentemente confundidas com furúnculos ou foliculite por médicos não especialistas
  • Muitas pacientes sentem vergonha e demoram a buscar ajuda
  • O diagnóstico é clínico — não existe exame específico — e exige reconhecimento do padrão de apresentação
  • A doença acomete áreas íntimas, o que dificulta o exame e a conversa aberta

Esse atraso tem consequências reais: as lesões evoluem, as cicatrizes se formam, o impacto na qualidade de vida se acumula.

Quem tem mais risco?

A HS é mais prevalente em mulheres, afeta especialmente pessoas entre a puberdade e os 40 anos, e está associada a alguns fatores que podem piorar o quadro: tabagismo, obesidade, histórico familiar e síndrome dos ovários policísticos.

Como é o tratamento?

A abordagem da HS é individualizada e depende da gravidade do quadro, medida pela classificação de Hurley (estágios I, II e III).

As principais opções incluem:

  • Medidas de controle locais: higiene adequada, roupas não compressivas, uso criterioso de antissépticos
  • Tratamento tópico e oral: antibióticos com ação anti-inflamatória, retinoides orais em casos selecionados
  • Terapia hormonal: em mulheres com flutuação clara relacionada ao ciclo menstrual
  • Agentes biológicos: inibidores de TNF aprovados para HS moderada a grave — uma das maiores revoluções no tratamento da doença na última década
  • Procedimentos cirúrgicos: drenagem de lesões agudas e ressecção de áreas afetadas em casos avançados

A telemedicina permite avaliação e condução de muitos casos de HS, especialmente no que se refere ao diagnóstico, estadiamento clínico e início do tratamento sistêmico. Em casos que exigem procedimentos físicos, orientamos a busca de referência presencial com clareza.

O que eu quero que você leve deste artigo

Se você tem lesões recorrentes em áreas de dobras, independentemente de quantas vezes já foi ao pronto-socorro ou recebeu diagnósticos inespecíficos — procure uma dermatologista com experiência em HS.

Você não precisa continuar vivendo com dor, limitação e constrangimento achando que é assim mesmo. Não é.

— A autora

Dra. Maria Eduarda Sodré

CRM-RN 13744 · CRM-SP 270532

Residente em Dermatologia pela USP. Escreve sobre pele, cabelos e bem-estar feminino com base em evidências — sem sensacionalismo.

Quer um olhar especializado para o seu caso?.

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